<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303</id><updated>2012-02-16T20:05:37.077-08:00</updated><category term='masp'/><category term='estação pinacoteca'/><category term='tv'/><category term='pintura'/><category term='teatro'/><category term='música'/><category term='literatura'/><category term='tradução'/><category term='filmes'/><title type='text'>Incursões culturais</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>16</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-6755818118490871535</id><published>2011-11-17T21:15:00.000-08:00</published><updated>2011-11-18T04:57:44.711-08:00</updated><title type='text'>Por que estudamos?</title><content type='html'>&lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Rubens Rodrigues Filho&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Estudar: esse costume, essa prática, esse vício. Por que afinal temos de sentir-nos atraídos por isso, que parece ser uma espécie de procura, uma busca, uma &lt;i&gt;quête&lt;/i&gt;? Que tipo de imagem governa esse ato? O modelo de um escavar? Desenterrar? Ou então: perseguir? Seguir rastros? Ou: “juntar coisa com coisa”? “Ligar os fatos”? Consequentemente, montar um quebra-cabeças, encaixar peças?&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Vários tipos de ocupação, entretenimentos variados. Charadas. Passatempos. Jogos de concentração para distrair. Introduzir um sentido no aleatório ou então supor que esse sentido já está lá posto, oculto, e que então alguém o busque. Esconde-esconde. A verdade que se esconde, o afeto que se encerra (“se esconde” no sentido de “está contido”). Reservas se significação. O que “nos reserva” um texto.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Uma mitologia branca (Derrida) em todas essas imagens, analogias. Orientar-nos por um desses modelos, seguir um desses esquemas como se fosse um mapa. Proceder segundo um imaginário escolhido, determinante e arbitrário. Também uma espécie de cálculo com signos, na relação com o texto (chamar isso de “método”, &lt;i&gt;metà hodós&lt;/i&gt;?)&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt;Por exemplo, os pares de conceitos, entredefinindo-se por oposição dois a dois: “mecânico” versus “dinâmico”. As substituições permitidas, por equação. Permutações. Jogos lógicos. “Lógica” versus “metafísica”. Notar que o sentido imediato não é tranquilo, alçapões de sentido. Mesmo para uma relação descritiva. Um texto é “ação comunicativa” (Habermas)?&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; As contaminações, o hábito de referir um determinado signo a um contexto específico e ver nesse signo sempre as marcas desse mesmo contexto. O “realismo” da querela dos universais: na Idade Média era o contrário de... “nominalismo”.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Quanto mais profundamente se medita, acreditando mergulhar numa profundez ideal, mais se perde pé nessa superfície trabalhada por “efeitos de sentido” – a palavra na página, a agilidade desses deslizamentos – mas então será sempre com os poderes do imaginário que essas forças todas estarão jogando? Surge então uma necessidade, não só de pensar – “energia” mental idealista – mas de escrever: pensar com a ponta da caneta, diretamente no papel, sucessão de minúsculos atinhos, retas, curvas, pingos, nas fibras materialistas que sustentam uma a uma esse mover-se, o querer real. Caberia, teria cabimento? Atos de percepção, qualidade perceptiva. Pergunta: – Que sentido tal palavra “pode” ter nesse texto?&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Psicologia de um intérprete que se pretendesse “fiel”: – Minhas articulações tornaram o texto de Novalis (fragmental) coerente?Ou sua coerência possibilitou a articulação? Esta segunda opinião, objetivista, realista, é sem dúvida a mais atraente, faz de mim um observador atento, mas neutro, e garante a firmeza de minhas afirmações: eu não tinha escolha, afinal, já que objetivamente é assim. Nem é meu ponto de vista, sempre sujeito à revisão, nem mesmo é uma tese que pretendesse demonstrar meus enunciados a serviço dessa “causa”, subordinados a esse desejo. Entendam, pois, meus proferimentos como obedientes ao feitio do seu próprio objeto, curvados ao capricho dele, que é anterior a mim e verdadeiro até na minha ausência. Digo que é assim porque assim é. Detestaria que fosse porque o digo, pois não quero comandar. Fazer minha vontade, no caso, seria o modo mais seguro de contrariar-me.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Uma interpelação do texto ao leitor. O texto em seu leito, deitado. Atividade só por parte do outro, que lhe põe o olho em cima e vai dotando de sentido aquelas combinações de letras (ao todo 24 sinais, separados por espaços), pressupondo apenas a condição de que esses sinais já lhe sejam conhecidos: a alfabetização. Em situações de fala, aparentemente, cabe passividade ao ouvinte, que no entanto tem a mesma função que o leitor: na qualidade de destinatário, receptivo.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Como pode o texto, o fraco, desprovido de entonação, gesticulação, presença, deixar de desenvolver as virtudes reativas descritas por Nietzsche? Chamar sem voz? Ganhar no berro, em silêncio? Paraplégico, imóvel, depende das virtudes do outro, daquele que se define pelo ato mesmo de atender-lhe, que se chama leitor por ser quem lê. O sinal “atrai” a vista, “prende” o olhar. Mas por que meios, se ele é sinal, inerte? O leitor talvez acredite estar com ele na mesma relação de neutralidade – de observação – em que se põe perante os fatos da natureza. Julga-o passivo, disponível a seu dispor, e por sua vez dispõe-se a obedecer-lhe. Perseguidor, converteu-se em seguidor. &lt;i&gt;Trompe-l'oeil&lt;/i&gt;?&lt;i&gt; Image mise em abîme&lt;/i&gt;? “Isso” de ler e escrever.&lt;/p&gt; &lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt; Novalis, que foi historicamente aquele “leitor ativo” solicitado por Fichte, identificou no texto da &lt;i&gt;Wissenschaftslehre &lt;/i&gt;uma operação que ele batizou de &lt;i&gt;innere Wunder&lt;/i&gt; (“milagre interno”) e descreveu-a assim: – “Fichte, com palavras escritas, com fórmulas, com combinações, opera milagres internos.” – Será que o romantismo há de retornar sempre?&lt;/p&gt;&lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt;In:_____, &lt;i&gt;Ensaios de filosofia ilustrada&lt;/i&gt;. São Paulo: Iluminuras, 2004.&lt;/p&gt;&lt;p class="western" align="JUSTIFY" style="text-indent: 1.05cm; margin-bottom: 0cm"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-6755818118490871535?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/6755818118490871535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2011/11/por-que-estudamos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/6755818118490871535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/6755818118490871535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2011/11/por-que-estudamos.html' title='Por que estudamos?'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-4213405125213484094</id><published>2011-09-12T06:51:00.000-07:00</published><updated>2011-09-25T06:01:21.495-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tradução'/><title type='text'>tradução - Indiferença na eternidade</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;Em comparação às &lt;i&gt;famílias catastróficas&lt;/i&gt; dos novos romances, os Buddenbrooks irradiavam alegria&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Todas as famílias felizes se parecem, e, por isso, ninguém escreve sobre elas. Se &lt;i&gt;Os Buddenbrooks&lt;/i&gt; não tivessem interessado a nenhum leitor, se tivessem aumentado sua riqueza cada vez mais, se Ana Karenina tivesse ficado com seu Karenin, se Leon Tolstoi nunca tivesse formulado aquelas belas frases, então cada família infeliz seria infeliz de um modo muito especial e bem peculiar. Assim, Tolstoi funda a tradição do romance moderno familiar, ao qual se ligam os dois debutes nesse outono – que, particularmente por isso, são recomendáveis, pois indicam uma visão jovem sobre a imagem atual da família.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A expressão “desordem” é, para as famílias catastróficas apresentadas, em si, ainda um pouco atenuante. Os pais de Franziska em &lt;i&gt;Falscher Frühling&lt;/i&gt; (ainda não traduzido em português, título literal provável: falsa primavera) são daqueles que não se deseja pra ninguém: o pai Lothar, um homem de teatro boêmio, bêbado, maledicente e promíscuo. A mãe Emilie, uma limpinha dona de casa por carreira, que troca a mobília desde o palco até o lar, bate em retirada de seu casamento para os braços de um pequeno burguês. Não é nenhuma surpresa que a negligenciada Franziska prefira se demorar no &lt;i&gt;Second life&lt;/i&gt; à vida real (no romance, o mundo on-line também se faz presente), e contornar a amizade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Talvez ela deveria conversar com o estudante de medicina Simon, de &lt;i&gt;Vom Atmen unter Wasser&lt;/i&gt; (ainda não traduzido em português, título literal provável: sobre respirar embaixo d’água). Cuja mãe, Anne, está – desde a morte violenta de sua irmã – quase que só apática e tenta se matar; enquanto seu pai, Jo, como assistente social, prefere se preocupar com os outros. Perante todos esses erros e confusões com o formato de novela das oito, ficamos desejando aquela narrativa de tipo contemplativo do século 19, de volta. Naquela época, quatrocentas páginas eram suficientes e perfeitas para quando, como em &lt;i&gt;Stechlin&lt;/i&gt;, um velho morre e dois jovens se casam.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Porque, com a erosão das normas burguesas, a catarse também está banida, deve-se hoje tanto mais acontecer na narrativa. A falência da família, que ainda nos &lt;i&gt;Buddenbrooks&lt;/i&gt; se estende por mais quatro gerações, realiza-se, hoje, internamente num indivíduo. Nos meses em que Ana Karenina precisou refletir sobre o olhar de Wronskij, Lothar, de &lt;i&gt;Falscher Frühling&lt;/i&gt;, colecionava affairs. O suicídio libertador, por outro lado, perdeu sua força literária, desde que a depressão, de longe, começou a ser percebida como fenômeno medicinal. Como fim solene da vida e de um livro, não se apresenta mais como solução. Em vez de, como Ana Karenina, se lançar em frente ao trem, os personagens precisam estender sua indiferença por toda a eternidade, num final aberto.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Em sua maioria, as crianças são quem mais sofre – antes sumidas discretamente sob a proteção de uma ama, porque elas atrapalhavam o enredo. Simon e Franziska levantam hoje não só a voz, eles procuram um projeto contra àquele estilhaçado dos pais. Irão eles se cruzar, irão até se apaixonar, depois ambos sentirão falta de um relacionamento, que se eleva sobre o desgaste do dia-a-dia. Este é um desejo mais belo e muito romântico. Soa quase como o século 19.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;(Tradução feita por mim e Francine Camelim do artigo "Wursteln in Ewigkeit", de Inge Kutter, publicado na Zeit Campus de janeiro e fevereiro de 2011)&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;---&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Texto original&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Wursteln in Ewigkeit&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Im Vergleich zu den &lt;i&gt;Katastrophensippen&lt;/i&gt; der neuen Romane strahlten die Buddenbroks geradezu vor Glück&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Alle glücklichen Familien ähneln einander, und deswegen schreibt auch keiner über sie. Die &lt;i&gt;Buddenbrooks&lt;/i&gt; hätten keinen Leser interessiert, hätten sie ihren Reichtem beständig gemehrt, und wäre Anna Karenina bei ihrem Karenin geblieben, Lew Tolstoj hätte nie jenen schönen Satz formuliert, demzufolge jede unglückliche Familie auf ihre ganz besondere und einzigartige Weise unglücklich ist. So aber begründete er die Tradition des modernen Familienromans, an die in diesem Herbst gleich zwei Debüts anknüpfen, die vor allem deswegen lesenswert sind, weil sie eine junge Sicht auf das heutige Familienbild zeigen.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;DEr Ausdruck "zerrüttet" ist für die darin vorgestellten Katastrophensippen noch ziemlich untertrieben. Franziskas Eltern in &lt;i&gt;Falscher Frühling&lt;/i&gt; möchte man niemandem wünschen: Vater Lothar, ein abgehalfterter Theatermacher, saufend, fluchend und promisk. Mutter Emilie, die saubere Karrierefrau, von der Bühnen- zur Innenausstattung umgeschwenkt, flieht vor den Eskapaden ihres Gatten in die Arme eines Biedermannes. Kein Wunder, dass sich die vernachlässigte Franziska lieber in &lt;i&gt;Second Life&lt;/i&gt; statt im wahren Leben aufhält (im Roman ist die Online-Welt noch in) und um Freundschaften einen Bogen schlägt.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Vielleicht sollte sie sich mit dem Medizinstudenten Simon aus &lt;i&gt;Vom Atmen unter Wasser&lt;/i&gt; unterhalten. Dessen Mutter Anne ist seit dem gewaltsamen Tod seiner Schwester fast nur noch apathisch und hat gerade einen Selbstmordversuch unternommen, während sein Vater Jo sich als Sozialarbeiter lieber um andere kümmert. Angesichts dieser Irrungen und Wirrungen vom Format einer Vorabendsoap wünscht man sich die beschauliche Erzählweise des 19. Jahrhunderts zurück. Damals reichte es für vierhundert Seiten noch vollkommen aus, wenn, wie im &lt;i&gt;Stechlin&lt;/i&gt;, ein Alter starb und zwei Junge heirateten.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Weil mit der Erosion bürgerlicher Normen auch die Fallhöhe verschwunden ist, muss heute umso mehr passieren. Der Niedergang einer Familie, der sich bei den &lt;i&gt;Buddenbrooks&lt;/i&gt; noch über vier Generationen erstreckte, vollzieht sich heute innerhalb einer einzigen. In den Monaten, die Anna Karenina benötigte, um über Wronskijs Blicke nachzudenken, bringt Lothar aus &lt;i&gt;Falscher Frühling&lt;/i&gt; gleich mehrere Affären unter. Der Freitod wiederum hat an literarischer Kraft verloren, seit die Depression weithin als medizinisches Phänomen wahrgenommen wird. Als würdevolles Ende von Leben und Buch ist er keine Lösung mehr. Statt sich wie Anna Karenina vor den Zug zu werfen, müssen die Figuren nach dem offenen Schluss bis in alle Ewigkeit weiterwursteln.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Am meisten leiden dabei die Kinder, die früher diskret in der Obhut einer Amme verschwanden, weil sie die Handlung störten. Simon und Franziska erheben heute aber nicht nur die Stimme, sie suchen auch nach einem Gegenentwurf zum elterlichen Scherbenhaufen. Würden sie sich begegnen, sie würden sich vielleicht sogar verlieben, denn beide sehnen sich nach einer Beziehung, die über alle Alltagsreiberei erhaben ist. Das ist ein schöner Wunsch und ein sehr romantischer. Er klingt fast nach 19. Jahrhundert.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-4213405125213484094?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/4213405125213484094/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2011/09/traducao-indiferenca-na-eternidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/4213405125213484094'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/4213405125213484094'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2011/09/traducao-indiferenca-na-eternidade.html' title='tradução - Indiferença na eternidade'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-1845991299982669857</id><published>2011-07-20T07:53:00.000-07:00</published><updated>2011-07-22T09:42:57.161-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Como ser humano</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-z0KUVEbYf-U/TibwGdnv8AI/AAAAAAAAAHc/ExZbLzsMsYM/s1600/Werner-Herzog-.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 245px;" src="http://1.bp.blogspot.com/-z0KUVEbYf-U/TibwGdnv8AI/AAAAAAAAAHc/ExZbLzsMsYM/s320/Werner-Herzog-.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5631452377894612994" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Ver a Alemanha foi um choque. Berço de vários humanismos e de uma arte auto-crítica de nível, o país foi espiritualmente arrasado pela guerra. As maiores qualidades alemãs mal estão nas ruas, na tv, na fala das pessoas. Tudo virou culpa, tentativa falsa de apaziguamento, desconforto estranho com o estrangeiro ou o diferente: deixá-lo no limbo do silêncio. A globalização mal chegou ou é muito localizada, intercâmbio só entre iguais. Ou tudo virou um imenso Estados Unidos, com consumo desenfreado de produtos todos iguais pra disfarçar a História. O sentimento injusto de sequestro da História no ar que se respira. Não seqüestro, mas um direcionamento violento, que não deixa espaço pra nada conotativo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Voltar pro Brasil foi estar ineditamente perdida, pensar em desistir de um caminho iniciado há sete anos. Mas, felizmente, tive a oportunidade de ver algo que me salvou de mim.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Superficial ou profundamente, Werner Herzog poderia ter nascido em qualquer país. Seus temas são o homem, a natureza, o sonho, as relações. Não teve educação formal pra profissão, mas traz alguns bons valores de outras filosofias alemãs, desenha entre si e elas um traço de continuidade espontâneo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Há o humanamente construído, o social, e o natural. Os dois dizem respeito ao homem e às suas possibilidades, mas é realmente ruim saber que há um esforço do mercado em nos tornar consumidores, homens com traços específicos de socialidade, apenas. Naturalizar o social e estranhar as tempestades, temer a terra, o desconforto, fazer do corpo casa pra somente prazeres temporários, simplificar, banalizar o humano na vida, fazê-lo vendável e saciável com bobagens.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Herzog, como seus personagens, se pauta em fortes questões existenciais. Como manter a integridade de um indivíduo, suas aspirações românticas (que apesar de serem, muitas vezes, irrealizáveis, mantém o mínimo de fé e ligação à vida), sua sensibilidade ao real e à dificuldade sem recorrer à cafonice dos livros de auto-ajuda, mensagens de powerpoint, fanatismo religioso, psicólogos, anti-depressivos, jogatina, novelas, drogas, pornografia, jogos de futebol e promiscuidade? Como alimentar a autonomia e autenticidade individual e não a ansiedade e as carências?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Não há resposta. Herzog estamenta a vida como luta infinda, solitária, titânica e inútil pela dignidade; uma vez que somos oprimidos e limitados por imagens midiáticas kitsch e pela venda de nossa capacidade (na maioria das vezes) somente prática de trabalho. A revolta titânica contra forças enormes e ideologias imprecisas é ridícula, mas é a única coisa a se fazer.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Herzog mostra que o sonho burguês de vencer na vida e merecer a atenção do outro é de todos: cegos, surdos, anões, soldados de segunda classe, reféns seculares de cavernas, ursos, astronautas frustrados – a busca por afeto e reconhecimento ainda é mais forte e universal do que o status financeiro ou a pulsão pelo consumo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;O mundo se tornou muito complexo, milhares de modos de vida diferentes foram descobertos, é injusto e anacrônico que um eurocentrismo ou o consumismo sejam a medida para todas as coisas: “nossa iconografia [a que nos bombardeia a mídia e propaganda] é pobre para nosso tempo”, diz Herzog. Assim, o diretor é igualmente agressivo ao apresentar imagens de expedições espaciais acompanhadas por músicas tribais como arte, ou homens que abdicam de seu conforto por um sonho/impulso aparentemente bobo e inexplicável – nossa sensibilidade com o verdadeiramente humano anda fraca.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Minhas ideias também andam embasadas num subtexto de fim da guerra fria, luta de valores antigos europeus (comunismo) com os “novos” estadunidenses (o predomínio da técnica, velocidade, eficiência). O último ganhou, mas os humanos ainda insistem no humanismo, em ter sentimentos como amor ou tristeza, em sonhar, em doar. Se alguma ordem econômica/social se aproximar disso e não podá-lo, talvez teria algum sucesso.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-1845991299982669857?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/1845991299982669857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2011/07/como-ser-humano.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/1845991299982669857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/1845991299982669857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2011/07/como-ser-humano.html' title='Como ser humano'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-z0KUVEbYf-U/TibwGdnv8AI/AAAAAAAAAHc/ExZbLzsMsYM/s72-c/Werner-Herzog-.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-4273655035702262301</id><published>2010-12-06T16:05:00.000-08:00</published><updated>2011-07-24T11:46:19.475-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>O máximo do niilismo no auge da juventude ou morte em pleno verão</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TP191Y0YbOI/AAAAAAAAAF8/03nWva_jsB0/s1600/images.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 225px; height: 225px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TP191Y0YbOI/AAAAAAAAAF8/03nWva_jsB0/s320/images.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5547728672139013346" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Mgmt é mórbido e antigo. Parece que tem algo errado em sentir isso de vozes tão jovens. Mas somos nós lá: a geração bonita e branquinha criada a ovomaltine e tv, fascinada por simulacros simplificados da vida (desenhos, jogos de videogame), recém-saída da universidade pra agora obrigatória vida adulta, tendo transformado toda aquela revolta ingênua adolescente que encontrava acalento num sonho de socialismo engolfado em drogas, em mais drogas do que socialismo. Todo o ódio que move montanhas virou ironia apática de gabinete, que faz a inação parecer muito inteligente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;É lindo. Você continua lá, acordando todo dia, escovando os dentes, enfiando dinheiro no cu da Coca-Cola, mentindo pra mamãe que tá realizando o sonho kitsch dela, não indo a pé nem pra esquina, reclamando e amaldiçoando todo o mundo porque alguém fez cara feia pra você hoje ou porque tá calor, sedimentando a convivência com as mesmas pessoas pra ouvir sempre o mesmo delas (ou seja, não ouvir), morrendo em vida. Marasmo, alienação, alheiamento profissional (porque da própria vida, dos próprios fins, do próprio tempo – esforço até que grande demais). Mas pra te salvar, a pieguice de dizer que sim, claro, você queria um mundo melhor mas nem o imagina na razão prática. Pra pegar bem em público, quem ia admitir a mais profunda indiferença diária prum grito de socorro ao lado, clamando por necessidades básicas? Ou melhor ainda, a ironia. Você zomba dessa necessidade, você zomba do merecimento dos outros quanto aos seus privilégios – como se uma merda de deus fosse (ou como se o demiúrgico inorgânico fosse) – engloba tudo com um argumento de autoridade e... muito bem, parabéns. Tapinhas nas costas e mundo adulto pela porta da frente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Um pouco dessa porcaria toda no Mgmt. Um passadismo pra forjar a profundidade. O experimentalismo e a tranquilidade pra falar de morte e automatização sentimental. “Congratulations”, a canção, é simplesmente horrorosa com suas banalizações mórbidas, distantes, inteligentes, descrentes. O mormaço igual a marasmo: a naturalização de um tédio diante do grande e único evento não-vida em vida. Os reflexos ameaçadores ou a paz profunda diante da ideia de que parece que nunca seremos (ou mereceremos ser) felizes – o disse Mishima em dois momentos de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Confissões de uma máscara&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;It’s working&lt;/i&gt;: aprofunde-se na fenda que separa o corpo do resto. Funciona no seu sangue, mas sangue não é mente, amor não é sangue, amor não é mente. Mas quando &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;it feels like someone’s missing&lt;/i&gt;, trai-se todo esse pensamento, haha. (É verdade, eles devem pensar assim por não ter saudade palavra).&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A canção instrumental é a mais clara: noite e uma casa acesa no meio do nada, gritos de você sabe o que que nunca tem nome, os reflexos ameaçadores porque indefiníveis ou porque travestidos daquele medo que você nunca consegui (ops, ato falho, vou preservar) nomear.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Tudo isso já morava no primeiro disco, mas o tom pop e os sintetizadores suavizavam: é chique e &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;hype &lt;/i&gt;tratar a vida como um irônico descarte de pessoas, como uma estúpida infância. Mas agora já tá começando a doer. Um mal-estar estranho, que não tem como, não tem por onde, mau agouro 24 horas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Bem já preveu Mishima mesmo, quando da americanização japonesa: o resultado é o mais belo laconismo. Laconismo feito Deus, feito religião, feito fatalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Sou uma maldita neoromântica preconceituosa que trata todos os eventos da própria vida como os mais importantes dessa vida. Um dito excessivo e desnecessário envolvimento com coisas que nada, na verdade. Essa é minha involução, meu defeito, meu ponto fraco, vou gastar ele até. Por isso, esses homens irônicos não me ligam. Só me fazem dançar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Desculpe, desculpe, mas eu tenho que falaaar. Esse blog é incrível, eu falo o que quiser, realmente (o que eu quiser, uhu!!). Cheia de coragem (pela internet). Me enforcando na corda da liberdade. Claro, prova na quarta-feira e eu aqui. Nomeando os demônios, pelo menos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Não, nossa geração não tinha que ser melhor. Não importa o que fizesse, teria erros. Mas meu ódio é minha resistência! É o que tem pra hoje, nenhuma elegância. Ainda não sou madura o suficiente pra abdicar. Quando for, aviso. (e agradeçam por ele estar aqui e começar rarear na existência ao vivo)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-4273655035702262301?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/4273655035702262301/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/12/o-maximo-do-niilismo-no-auge-da.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/4273655035702262301'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/4273655035702262301'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/12/o-maximo-do-niilismo-no-auge-da.html' title='O máximo do niilismo no auge da juventude ou morte em pleno verão'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TP191Y0YbOI/AAAAAAAAAF8/03nWva_jsB0/s72-c/images.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-2752924995566790059</id><published>2010-10-18T13:15:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T14:08:39.528-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='masp'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pintura'/><title type='text'>Muito tempo em pouco tempo e em pouco espaço</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TLyrlkakc_I/AAAAAAAAAFs/i9tcLupSvkI/s1600/003_AA1008_STU_003.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 218px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TLyrlkakc_I/AAAAAAAAAFs/i9tcLupSvkI/s320/003_AA1008_STU_003.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5529483104422753266" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;A história é muito importante para a Alemanha. Esse país centro de uma Europa estranha e gelada, de milhares de povos e línguas diferentes por metro quadrado, constantes embates e constante medo de que seu povo formado por deus vá ser expulso da Terra pelos homens, a rejeição e o consequente extermínio em massa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;Ou a dura necessidade de adaptação, apreensão dos signos novos, como a alegre, vazia, luxuosa e fácil cultura americana – uma obrigação após a segunda guerra. O povo atomista tendo que ruminar uma noção de massificação, que sempre lhe fora inexistente. Isso resulta na carinha de MM’s mais gordurosa e sofrida que existe. Ou numa juventude socialista apática e pálida, só coberta das vistosas indumentárias dos anos 50, como numa imitação dos filmes de Hollywood – estes sim, onde os atos e as boas intenções produzem algum efeito no mundo e são imediatamente recompensados. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;“Se não neste tempo” apresenta a visão microscópica dos pintores alemães sobre os efeitos e influências vividas pelo país ao fim do século XX. A fotografia, a história em quadrinhos, a propaganda, o abstracionismo, as cores neon, a arquitetura, o figurativismo estão entre as inúmeras variações possíveis para a pintura e a expressão do povo sobrevivente a um ainda não findo assédio moral de todo o resto do mundo à sua identidade. A felicidade tão certa da queda do muro se transforma em morbidez misteriosa: em “Phienox”, Daniel Richter (que já inverte o alfa e o ômega no título) transforma os alegres jovens do novembro de 1989 em figuras fantasmagóricas flourescentes, transportando um corpo diferente a um novo barco, numa atitude nada clara, automática, bondosa ou natural. Eberhard Havekost estratifica um eterno insolúvel segredo na figurativização de dois personagens com os rostos cobertos pelos quadriculados de reportagens investigativas; as novas esfinges.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;Chegar perto dos quadros e ver as pinceladas ou o spray, é como ter os artistas em presença, visualizar seus minúsculos defeitos que dão num todo perfeito.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;Viver é mesmo imprevisível pela eterna exibição variada de signos que inspiram à vida ou à morte, misturando ambos num total espúrio cuja pureza é também a adulteração; ou a graça da vida é a morte.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;Essa maravilha toda contrasta com a exposição no piso superior, sobre o romantismo: quadros de David, citações de Goethe, Novalis, Herder, Rousseau, a individualidade e o entusiasmo. Sinceramente não sei realizar a ligação entre essa força que se fazia tão positiva, no século XVIII, e a heterogênea era moderna; mas ela está lá.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.75in"&gt;Enfim, vão lá ver como a guerra e a resistência não acabaram, mas passaram a existir por segundos e centímetros.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-2752924995566790059?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/2752924995566790059/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/10/muito-tempo-em-pouco-tempo-e-em-pouco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/2752924995566790059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/2752924995566790059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/10/muito-tempo-em-pouco-tempo-e-em-pouco.html' title='Muito tempo em pouco tempo e em pouco espaço'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TLyrlkakc_I/AAAAAAAAAFs/i9tcLupSvkI/s72-c/003_AA1008_STU_003.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-8148558448344725307</id><published>2010-07-05T15:43:00.000-07:00</published><updated>2010-10-19T14:10:45.448-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='estação pinacoteca'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pintura'/><title type='text'>Andy Warhol, vai tomar no cu</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDJiWMBcrjI/AAAAAAAAAFc/ZkGCQ1LZe_Q/s1600/marilyn_andy_warhol.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 316px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDJiWMBcrjI/AAAAAAAAAFc/ZkGCQ1LZe_Q/s320/marilyn_andy_warhol.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490559029041999410" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;E a vida ataca cruelmente, de novo, quando você menos espera. Que tal tomar um soco na cara pra desfigurar o rosto e doer por uns bons meses? Então.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Andy Warhol é lacônico como a era quando nasceu, como a era que ele produziu. A força impactante da promessa vazia da propaganda, que sempre caímos porque somos pegos pelo nosso pior lado, nossa carência, nossa necessidade. A culpa posterior pelo que achávamos inconsciência e era a expressão do nosso desejo mais real, íntimo e sujo, aquele “eu” que não conhecíamos e é mais nós mesmos do que a imagem consciente que fazemos de nós.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Lacônico como as representações religiosas, que não tem nenhuma mensagem complexa e verborrágica pra passar, a não ser a inexorabilidade da emoção ou nossa impotência diante do eterno.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;A ideia do sonho americano repousando nas figuras e no próprio Andy Warhol, que ascendeu da pobreza ao estrelato; o suicídio e os acidentes de carro com significados subvertidos: nos fascinamos muito mais com a desgraça alheia do que com qualquer outra coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Há o constante movimento entre a glamourização do comum e a banalização do glamouroso, atores hollywoodianos em suas caras comuns acabadas de festa, os produtos estúpidos que a propaganda endeusa, a vida dos Kennedy, tão ordinária quanto a nossa, mas que sabe-se lá porquê tem toda a nossa reverência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Pra piorar, tudo engolfado por uma nada suave atmosfera de morte, sexo e abismo. Como sempre, o sexo é a pior parte, diga lá quem não tem seus medos mais queridos morando nessa área obscura. E aí Andy Warhol resolve todos os seus problemas com mais problemas, ou mais laconismo, ou o bom e velho e doído platonismo: “O sexo é uma ilusão. O mais excitante é não fazê-lo”, “A fonte dos problemas das pessoas são suas fantasias, se você não tivesse fantasias não teria problemas. Porque você aceitaria qualquer coisa que estivesse na sua frente, mas aí você não teria romance porque romance é encontrar sua fantasia em pessoas que não são sua fantasia...” – esse último doeu tanto que li literalmente e fui praticar na vida com toda a efusividade que me é incorrigível e, bem, no meio de tanta fantasia a realidade chamou tudo pro ordinário de novo, como deve ser.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;A figura de Marilyn é serigrafada até perder o sentido, como aquelas canções que você escuta mil vezes. A beleza tão certa dela começa a virar um desconforto, sua boca é torta, seu sorriso, contrariado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Enfim, uma atmosfera de pesadelo, uma vontade de vomitar. E pra continuar a iconoclastia de tornar ícone o que não é icônico, lanço no título a melhor oração que o santo Andy Warhol (forjador bem-sucedido da própria santidade) pode pedir de nós, seus fiéis perdidos na selva dos apelos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;&lt;span style="font-family: &amp;quot;Times New Roman&amp;quot;;mso-fareast-Times New Roman&amp;quot;;mso-ansi-language: PT-BR;mso-fareast-language:PT-BR;mso-bidi-language:AR-SAfont-family:&amp;quot;;font-size:12.0pt;"&gt;O quê? Essa resenha tá em contradição com a de baixo? Imagina, minha coerência é que é alternativa.&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-8148558448344725307?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/8148558448344725307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/07/andy-warhol-vai-tomar-no-cu.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/8148558448344725307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/8148558448344725307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/07/andy-warhol-vai-tomar-no-cu.html' title='Andy Warhol, vai tomar no cu'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDJiWMBcrjI/AAAAAAAAAFc/ZkGCQ1LZe_Q/s72-c/marilyn_andy_warhol.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-3247834430818765461</id><published>2010-07-04T09:44:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T09:57:53.242-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Let-down souls can feel no rhythm</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDC9bmlPSGI/AAAAAAAAAFU/CnTDpXJiN_g/s1600/gainsbourg_beck.jpg"&gt;&lt;img style="display:block; margin:0px auto 10px; text-align:center;cursor:pointer; cursor:hand;width: 320px; height: 234px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDC9bmlPSGI/AAAAAAAAAFU/CnTDpXJiN_g/s320/gainsbourg_beck.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5490096227675490402" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Eu gosto do Beck Hansen. Ele sim sabe desdobrar seu pensamento em várias faces, transforma a mesma matéria prima em coisas diferentes, perto dele, Jack White fica só um obsessivo monológico (e são bem amigos, mas o discurso de um não constitui o outro). E aí, Charlotte Gainsbourg, filha do casal mais &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;je t’aime mon amour&lt;/i&gt; do mundo, tem a missão fácil e difícil de fazer música francesa com uma cara mais contemporânea, precisa ir além dos clichês. Casamento perfeito! &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;IRM&lt;/i&gt; é uma diversão com a voz doce e quase monótona de Charlotte jogada em alto contraste com os ritmos marcados e variantes da mente de um Beck (sem ambiguidades, viu). Aquela influência indisfarçável do Brasil, na percussão e numa ideia de berimbau, que foi se adensando na carreira do cantor desde &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal"&gt;Information&lt;/i&gt;, vai tomando uma forma mais personalizada e menos caricata ao lado da suavidade de Gainsbourg. Há a homenagem a diferentes estilos musicais, “releituras de quadros famosos” sob uma outra perspectiva, não original mas sempre na intenção de chegar lá, o pós-moderno mais puro e do bom (uma pinga). Sim, o romantismo e seu ideal de total originalidade já era até pros próprios românticos (Goethe que o diga e que o superou no auge, fim do século XVIII), mas se faz necessário falar, se expressar apesar do peso todo da tradição, não somos os inventores da roda mas somos quem a faz girar até hoje.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Um blues hard-rock-led-zeppelin como nos bons tempos é “Looking glass blues”, um folk da vovó Bob Dylan é “Heaven can wait” (que tem um clipe maravilhoso e responde com muita dignidade a essa inegável necessidade audiovisual da música contemporânea), “Le Chat du Café des Artistes” é uma canção de filme &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;noir &lt;/i&gt;francês com alto contraste entre o comedimento feminino de Gainsbourg e o tom de terror inevitável dos violinos (e escutei mil vezes que quero morar nesses filmes), “In the end” é um belo representante da singela canção francesa e sua quase cafonice das Carla Bruni da vida, e “IRM” e “Master’s hands” são a loucura de um perfume de percussão brasileira contra (que virou a favor d’) a elegância francesa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Pescando a filosofia da minha canção predileta do Beck, “Cellphone’s dead”, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;let-down souls can feel no rhythm&lt;/i&gt;, ou seja, toda a música é universal e dois corpos completamente alheios podem co-habitar o mesmo espaço, ou ainda, basta ser homem e de boa vontade pra fazer e apreciar a boa obra, ou mais, não basta estar vivo tem que existir na Terra, ou mais ainda, tem que ter muita coragem pra ser você mesmo que é uma cópia de tudo que já existiu mas na intenção do novo, “na eterna esteira do cratilismo” – nas palavras do outro vovô, Blikstein.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;i&gt;Escrevendo sobre várias coisas pra sempre chegar à mesma conclusão. Malz ae galera, é a fase. &lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-3247834430818765461?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/3247834430818765461/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/07/let-down-souls-can-feel-no-rhythm.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/3247834430818765461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/3247834430818765461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/07/let-down-souls-can-feel-no-rhythm.html' title='Let-down souls can feel no rhythm'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDC9bmlPSGI/AAAAAAAAAFU/CnTDpXJiN_g/s72-c/gainsbourg_beck.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-8011863466413720255</id><published>2010-07-03T22:11:00.000-07:00</published><updated>2010-07-03T22:29:11.084-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='teatro'/><title type='text'>O milagre da multiplicação ou isto não é uma resenha</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDAb8Zip4PI/AAAAAAAAAFM/pJfRv7iJdZ0/s1600/rosas_1.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 180px; height: 187px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDAb8Zip4PI/AAAAAAAAAFM/pJfRv7iJdZ0/s320/rosas_1.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5489918670226972914" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: left; text-indent: 0px;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt;  &lt;/span&gt;Um dia você tá lá, vivendo sua vida mais que ordinária, pobre ética e esteticamente, e vai despretenciosamente assistir à uma peça que mostra as inúmeras possibilidades de se fazer uma mesma coisa. Epifania. Não queria sempre me surpreender tanto assim que isso é falta de fé na humanidade, mas enfim, variações do mesmo tema, mudanças, novos pontos de vista, de repente a fartura jorrante nessa vida que eu só ponho os óculos da miséria pra enxergar: chorei como criança, pra variar.&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;“Primeiras rosas” é um primor de recursos: teatro de sombras, de bonecos, de atores, vídeo, dança. Guimarães Rosa desce do céu inatingível dos escritores consagrados pra existir finalmente em carne e espírito no meio de nós. A representação de “A terceira margem do rio” é a coisa mais triste e doída da vida e também é um &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Hamlet&lt;/i&gt;. A luz serve de câmera no teatro de sombras. Todos os atores são bonitos, com seus rostos sorrindo, acompanhando e fazendo a expressão dos bonecos. A beleza deles só existe porque todos são um conjunto de partes inseparáveis, a beleza de um se completa no sorriso do outro que ganha sentido no gesto do outro, &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;it’s a chain reaction&lt;/i&gt; dizem os filósofos rappers. Que coisa incrível se consegue fazer em grupo quando não se tem preguiça ou se reclama, mas há humildade, bem já sabia minha vó.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Lindo também é o silêncio, poucos diálogos e pouca reconstrução forçada do narrador rosiano, mas profusão de imagens e cores desencadeadoras de todas as emoções que os homens de boa vontade estiverem dispostos a sentir. Sentidos disparando por todos os lados, dói não conseguir pegar todos, mas sempre uma bala atinge seu coração e você sangra todo feliz. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Nunca se surpreenda, sempre reconheça, veja como familiar.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Tom professoral, sou tua escrava não, mas num foi hoje que te superei, haha&lt;/i&gt;.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-8011863466413720255?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/8011863466413720255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/07/o-milagre-da-multiplicacao-ou-isto-nao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/8011863466413720255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/8011863466413720255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/07/o-milagre-da-multiplicacao-ou-isto-nao.html' title='O milagre da multiplicação ou isto não é uma resenha'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TDAb8Zip4PI/AAAAAAAAAFM/pJfRv7iJdZ0/s72-c/rosas_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-7085774570448835537</id><published>2010-06-28T13:42:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T08:43:54.036-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Paixão: a infância da humanidade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TCkMapuP49I/AAAAAAAAAFE/uu1O2s9R_fw/s1600/deixa-ela-entrar_01.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 215px; height: 320px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TCkMapuP49I/AAAAAAAAAFE/uu1O2s9R_fw/s320/deixa-ela-entrar_01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5487931272943625170" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TCkLZTbrRFI/AAAAAAAAAE8/rAGJ28-LUx8/s1600/deixa-ela-entrar_01.jpg"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;No fundo, acho que gostei de “Deixa ela entrar”. Tenho pavor de filmes de terror e dessa vez não foi diferente: a visão da menina monstro principal me dava arrepios; o horror e o susto de ser violentamente atacado quando menos se espera; as mortes hediondas, lentas e torturantes, litros de sangue se esvaindo inutilmente; e ainda o desprazer da figura ser parecida fisicamente comigo, olhos grandes e fundos, cabelos escuros armados. Resultado: a noite que era pra ser de sono virou uma longa jornada quase sem vitória. Mas quando o dia finalmente chegou com um pouco de racionalidade (ou seja, aquela deliciosa impressão ilusória de que está tudo sob controle) senti que o terror era só uma introdução e que o aprendizado a se obter dali não era pouco.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Eli (olha o nome, na trave do meu, ai) é uma menina vampira. Mas o filme é bem trabalhado nas sutilezas e sensibilidade, daí sua caracterização não se valer dos clichês desse tipo de personagem. Eli vai se construindo diante dos nossos olhos, que a princípio se afeiçoam à sua aparência frágil com potencial macabro, até que a segunda parte dessa personalidade intrigante venha finalmente à tona. A menina tem “doze anos há muito tempo”, sua fraqueza é superficial, ela é completamente consciente de seus atos e põe sua necessidade de se satisfazer acima de qualquer coisa.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Sua sabedoria a leva a se aproximar de Oskar, que tem doze anos reais e está moralmente muito debilitado com a separação de seus pais e a zombaria dos garotos da escola. Logo, a estranha e noturna Eli se torna sua única amiga e ele, seu total dependente afetivo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;“Deixa ela entrar” é o nome pois deve-se autorizar a entrada de Eli na casa, não sendo convidada e invadindo o espaço, ela morre. Daí a ideia de responsabilidade que o sujeito que deixa ela entrar deve ter sobre o que é desconhecido, sobre sua paixão, sobre seu medo e seu sentimento – coisas que o permissivo Oskar ainda é incapaz de medir e Eli bem o sabe. A vampira trabalha pra transformar a fragilidade temporária do menino em permanente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;O terror e as mortes horríveis do filme servem de mera ilustração pro perigo real do mal e da manipulação. Eli induz Oskar racionalmente a escolher se vingar e a ser violento e depois o deixa em um caminho sem volta: ele terá sempre que ser assim se amá-la, pois ela vive por sangue.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Apesar de tudo, o vampirismo ainda é opção: uma das vítimas sobreviventes de Eli se torna vampira, mas no real altruísmo, a mulher abdica à vida, sabendo que sua condição é inescapável, trará o mal e o constante descarte de pessoas.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Eli é conscientemente má, incapaz de amar, manipuladora, experiente; e seu apaixonado lhe faz contraste: Oskar é indefinido, sem objetivos, é capaz de amor verdadeiro mas é tão inconsciente de si mesmo que não teve responsabilidade na escolha do ser amado. A maldade de Eli está em se aproveitar da fraqueza de seu protegido pra lhe cobrar favores futuros, como lhe arranjar vítimas, acobertar os crimes, etc.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;A maioria das críticas sobre o filme o classifica como história romântica com vampiros, e o compara (para exaltá-lo) com "Crepúsculo". À primeira vista, não me ocorreu tal ideia, a atmosfera era de tamanho peso e terror que nem lembrei da cafonice desses filmes de vampiros teen, pensei que Eli poderia ser uma assassina mesmo, um animal, etc. Mas a metáfora de vampira é ótima: um semi-humano, uma alma penada, um morto, sem sangue nas veias, que suga a vitalidade de quem é humano; se alimenta de seus erros, de seus pontos fracos - como o apaixonamento inconsequente de Oskar, por exemplo. O mal acabou com o que havia de humano em Eli, para ela nada está acima de sua satisfação pessoal, tudo pode ser corrompido, não há nada interditado ou que mereça sua reverência.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;Eu, que mesmo parecendo o monstro abandonei o mal esses tempos pois o crime não compensa, digo: o estado único da paixão é o início das delícias e dos perigos do envolvimento, é a porta de entrada, mas o amor verdadeiro cobra a necessidade de sua superação para que todos possam viver com alguma saúde mental e civilidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;E enfim, pode ser minha visão viciada, mas todos os filmes que vi na mostra do Sesc falaram dos apaixonados que cegamente acreditam numa suposta nobreza pura em seu sentimento e fazem o mal, ou mesmo besteiras pra se arrepender. “500 dias com ela” fala de forma divertida sobre como se apaixonar te faz achar imbecilmente que a outra pessoa tem a obrigação única de te fazer feliz mesmo que você não valha a pena, “Ervas daninhas” mostra a inconseqüência do apaixonamento como desencadeadora dos fatos mais &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;nonsense&lt;/i&gt; da vida, “Antichrist” fala sobre os perigos do auto-desconhecimento e do desconhecimento do parceiro no âmbito da profunda intimidade que atinge um relacionamento, e “Se nada mais der certo” discute os efeitos que a falta de responsabilidade sobre uma visão de mundo pessimista e enfraquecedora dos sujeitos aliada à manipulação das paixões pode trazer à vida e às identidades das pessoas. O desafio do homem atual ainda é assumir a responsabilidade pelo que parece incontrolável, pois toda a realidade é construída e construível, e a existência de alguma incoerência sempre vem fazer cobranças às nossas consciências.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:.5in"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Sim, tá meio difícil esses tempo de superar o tom &lt;u&gt;Berater&lt;/u&gt; e a auto-ajuda burguezona, mas ponho o texto aí como documento da história das ideias de elis piera rosa nesse seu estranho ano de 2010, pra isso pelo menos serve. Claro, pra variar tava escrevendo um artigo com prazo estourando e parei pra fazer essa resenha; graças a deus que já falei de todos os filmes assim não corro o risco de perder mais tempo escrevendo sobre cada um, só pra procrastinar. E viva a escrita! Escrever é minha casa mesmo e o filho pródigo aqui a ela retorna amém.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-7085774570448835537?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/7085774570448835537/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/06/paixao-infancia-da-humanidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/7085774570448835537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/7085774570448835537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/06/paixao-infancia-da-humanidade.html' title='Paixão: a infância da humanidade'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/TCkMapuP49I/AAAAAAAAAFE/uu1O2s9R_fw/s72-c/deixa-ela-entrar_01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-2789676160613717026</id><published>2010-02-21T12:51:00.000-08:00</published><updated>2010-02-22T17:20:42.911-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Fiona Apple, a máquina extraordinária mostra todos os seus mecanismos</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhBHhKulI/AAAAAAAAAEg/iJ2_0Z1gM30/s1600-h/fionaapple-extraordinarymachine.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhBHhKulI/AAAAAAAAAEg/iJ2_0Z1gM30/s200/fionaapple-extraordinarymachine.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440806865410374226" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;As visões que as pessoas têm sobre a tristeza me atraem, desde criança. Eu não era triste, mas via aquilo como a matéria-prima das coisas que me sensibilizavam: canções, romances, pinturas – a beleza gratuita se vertia &lt;st1:personname productid="em reflexão. Os" st="on"&gt;em reflexão. Os&lt;/st1:personname&gt; estados obscuros de alma eram encantadores, apareciam como a crítica mais acirrada a nossa obrigação social de felicidade e produtividade. Assim, de certo modo, ficava muito insatisfeita de ver a vida fora da arte, sempre tão superficial. Brinco de procurar nas relações esse conhecimento do pior e mais profundo no humano, mas acho que ele está (com real sinceridade) no lugar onde eu o encontrei originalmente. Freud tem razão por identificar uma massa estranha e disforme sob toda máscara humana – só não concordo que ela seja completamente dominada pelo impulso sexual. Digamos que, aí, mora meu interesse pior, mais inútil e (provavelmente, por isso) mais essencial à minha personalidade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; Não há nada tão estranho quanto encontrar a tristeza e a loucura, que todo mundo precisa esconder, bem escancaradas na plataforma midiática mais hipnotizante e acessível: a música pop. Ainda mais se elas forem declaradas por uma jovem bonita, frágil e sensível – que parece em luta constante pra fugir dos desígnios que o mundo teria para alguém com a sua bela aparência. Um combate sem fim entre ser e parecer é Fiona Apple. Filha de pais nunca casados, estuprada aos doze anos, seu sucesso não existiu apesar de sua tristeza e inconformismo – ela faz visível a presença de seus monstros.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; Fiona foi um pouco mais além da &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;slacker generation&lt;/i&gt; dos anos 90 – esta última, consumidora de uma indústria fonográfica monstruosa (notável nos vampiros apelativos Kurt Cobain e Smashing Pumpkins), que se alimentava da insegurança e depressão tão comuns nos adolescentes. A cantora sobreviveu à onda do &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;show business&lt;/i&gt; de glamorização e/ou banalização do suicídio, preservando a autenticidade da sua voz. Seu discurso de 1997, quando da entrega do prêmio na MTV (“This world is bullshit”), atesta uma consciência exacerbada de si mesma e do ambiente de comércio de sonhos e comportamentos em que está, de um modo bastante desagradável.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhBVejjXI/AAAAAAAAAEo/XLnLo8rBf68/s1600-h/31242+(1).gif"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 154px; height: 200px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhBVejjXI/AAAAAAAAAEo/XLnLo8rBf68/s200/31242+(1).gif" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440806869157514610" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;A maturidade precoce de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Tidal&lt;/i&gt; (1996), aprofundada em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;When the pawn...&lt;/i&gt; (1999) – cuja pretensão se estampa no título, um poema de 90 palavras –, são promessas cumpridas na força de sua voz grave e em sua mão pesada ao piano. Mesmo já firmada num alto nível, Fiona supera a si mesma e à sua geração com &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Extraordinary Machine&lt;/i&gt; (2005), seu melhor trabalho.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; A história da concepção do disco, mais uma vez, é dramática: a bela cantora versus suas feias e instigantes fraturas expostas. Escrito ao término do relacionamento com o cineasta Paul Thomas Anderson (de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Magnólia&lt;/i&gt;, 1999, que assisti voluntária e involuntariamente tantas vezes em 2005) e produzido pelo amigo Jon Brion, o trabalho estava pronto desde 2003, mas fora engavetado por Fiona (que não gostou do resultado geral). &lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhB4lMvUI/AAAAAAAAAEw/qYc1CMyFQ-M/s1600-h/fiona_wallpaper_1152.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhB4lMvUI/AAAAAAAAAEw/qYc1CMyFQ-M/s200/fiona_wallpaper_1152.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5440806878580620610" /&gt;&lt;/a&gt;Na época, os fãs fizeram o movimento “Free Fiona”, inflamados pela declaração de Jon Brion de que a gravadora se recusou a lançar o disco por falta do apelo comercial nas músicas. O movimento serviu para “livrar Fiona dela mesma”, e ajudá-la regravar todo o disco com uma nova concepção e sob a produção de Mike Elizondo.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;A versão de 2003 vazou na internet e foi aclamada, vista como melhor que a original. Há poucas diferenças entre as duas, as mais visíveis estão nas faixas “Not about love”, “O’Sailor” e “Red, red, red”. A influência do cinema, presente em canções que se assemelham às trilhas de cenas (acirrando a tensão, tristeza, comicidade), é mais intensa, mas a voz de Fiona parece rasgada, dura e contrariada. “Red, red, red”, minha canção favorita, também me dá medo e jorra informações excessivas de um interior perturbado, que ninguém gostaria de expor a público, ou mesmo não conseguiria traduzir tão bem em letra e canção. A música tem um tom suspense, de “filme &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;noir&lt;/i&gt;”, mas o desagrado da cantora é indisfarçável. Na versão de 2005, ela trabalha pra retirar todo o elaborado arranjo, focalizando na interpretação de sua voz. Achei intrigante a passagem pelos dois extremos, e o certo peso que ainda permanece na letra da canção.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt; Fiona transforma o lugar comum do fim de um relacionamento amoroso num pesadelo, num grito de revolta, numa piada pra sorriso amarelo. Ao contrário da confiança da letra de “Sleep to dream” (que trata do mesmo assunto), em &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Extraordinary machine&lt;/i&gt;, a cantora vai ao fundo do poço com muita coragem, converte o apático deprimido em um instigante, ativo e perigoso revoltado. A perda do amado é amargada, visível até na mudança de fisionomia da cantora – que teve sua imagem moldada pela direção dos clipes feita pelo ex-namorado, constituiu uma parceria criativa com ele em cenas de &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;Magnólia&lt;/i&gt;, e agora se vê obrigada a reconstituir sua arte novamente sozinha. E consegue o fazer, bem melhor do que antes.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;o:p&gt;Fiona, pra mim, sai da atribuição lugar comum sempre feita às mulheres: ou são santas ou putas. A santa é bela mas boba, não sabe de seu poder. A puta tem a consciência extrema desse poder, mas, por vezes, se deixar dominar por ele. Fiona é bruxa, ciente dos elementos que constituem seu mundo, ciente de sua necessidade da existência de seu lado bom e do ruim; sabendo que, ao se expor, deve ser coerente com estas duas partes. Contudo, a cantora não esconde sua inabilidade para a harmonia: do desequilíbrio, surge o seu melhor. Fiona é conscientemente desagradável, dissonante, como sempre foi e será a realidade.&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-2789676160613717026?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/2789676160613717026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/02/fiona-apple-maquina-extraordinaria.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/2789676160613717026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/2789676160613717026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2010/02/fiona-apple-maquina-extraordinaria.html' title='Fiona Apple, a máquina extraordinária mostra todos os seus mecanismos'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/S4GhBHhKulI/AAAAAAAAAEg/iJ2_0Z1gM30/s72-c/fionaapple-extraordinarymachine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-1436590446873665859</id><published>2009-10-08T13:09:00.000-07:00</published><updated>2010-07-04T08:44:47.126-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>O mal é o desejo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/Ss5Hn03SjGI/AAAAAAAAAEE/iZ-8IBl6MnA/s1600-h/notesonascandal.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 130px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/Ss5Hn03SjGI/AAAAAAAAAEE/iZ-8IBl6MnA/s200/notesonascandal.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5390324553540078690" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As rugas são a melhor matéria-prima para um ator. Uma longa trajetória marcando o rosto, uma história comprida que não é contada, mas está forte, presente e gritando entre os silêncios. Isso é um pouco de Judi Dench em “Notas sobre um escândalo”.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu, que já me acostumei a assistir filmes só porque a Cate Blanchett está neles, e não perdi a garantia de ver algo bom novamente. A atriz se expressa com delicadeza e sem vulgaridade, como está difícil de se ver no mainstream atual. Blanchett se defaz da imagem soberana que a Rainha e Galadriel lhe atribuíram para viver uma mulher frágil e perdida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A visão envolvente de um mundo adulto aparentemente saudável que está em ruínas é maravilhosa. Os caracteres que tipicamente fazem as pessoas se tornarem adultas – ter um emprego, fumar, fazer sexo – são o caminho principal e também o desvio, levando as personagens ao mundo do vício, da manipulação e da fragilidade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sheba é pureza e pecado, é a mulher complexa, sua plenitude de defeitos acirra e acende sua beleza. Barbara é a pessoa real tentando viver como um personagem de ficção, forçando o destino da estrada principal. E como boa personagem de ficção que é, nunca aprende.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O filme beira deliciosamente o politicamente incorreto em sua apresentação do homossexualismo, da deficiência mental e da pedofilia – tal ação se faz urgente nestes dias de hoje, em que as pessoas travestem seus demônios e preconceitos com máscaras absurdas de puritanismo e mensagens tão felizes de power-point. &lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em face da hibridez das personagens e de suas ações perdidas, o ator principal do filme é o desejo: em seu estado mais puro, manipula e brinca com os bonecos humanos, até que as consequências venham fazer cobranças. E o mundo adulto volta à sua ordem aparente, que, agora sabemos, está sempre a um triz de se romper.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixar o mal agir. E depois utilizá-lo como óculos pra perceber que o mundo tem muito mais do que dois lados: é uma moral amoral que “Notas sobre um escândalo” pode legar.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-1436590446873665859?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/1436590446873665859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/10/o-mal-e-o-desejo.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/1436590446873665859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/1436590446873665859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/10/o-mal-e-o-desejo.html' title='O mal é o desejo'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/Ss5Hn03SjGI/AAAAAAAAAEE/iZ-8IBl6MnA/s72-c/notesonascandal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-5718471330682178784</id><published>2009-09-16T21:19:00.000-07:00</published><updated>2009-12-04T04:50:37.098-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='tv'/><title type='text'>This is going to be the happiest day of my life</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SrG5y58bhbI/AAAAAAAAADw/TTvoW_3KE8E/s1600-h/the+office+3.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;width: 200px; height: 150px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SrG5y58bhbI/AAAAAAAAADw/TTvoW_3KE8E/s200/the+office+3.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5382287313883334066" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Escuto isso, quase todos os dias, de Michael Scott. E cada dia eu alimento a certeza que o The Office é o melhor seriado de tv. Seu humor não é feito de palavrões, apelação, mulheres seminuas, caricaturas escrachadas. Mas de pessoas comuns, que tem um realismo incrível pra deixar os espectadores espantados com os absurdos da vida normal. Diria que o espírito geral que permeia The Office é bem triste e desesperador mesmo, mas a agilidade dos esquetes e das ações, entremeados pelos depoimentos no estilo mais que atual de reality show, dão o equilíbrio e a graça pra esse todo meio irônico, meio amargo. Cada personagem não é um estereótipo, mas um clássico; na minha opinião, criados no método de fazer uma personalidade dentro de um corpo estranho a ela, o que torna tudo engraçado e especial. Kelly Kapoor é a típica &lt;i style="mso-bidi-font-style:normal"&gt;bitch&lt;/i&gt; dos dias de hoje, toda segura e arrogante, mas indiana, fora dos padrões estéticos. Dwight Schrute seria o típico homem das cavernas, com a mente de quem mata pra sobreviver, mas engravatado dentro do escritório. Michael Scott é o típico idiota, que ninguém gosta de ter por perto e que nunca é responsável, contudo, é o patrão. Dessas deliciosas contradições saem coisas absurdas, como “Beers in heaven”, ou uma exposição pública dos relacionamentos amorosos de cada empregado como forma de apresentá-los, ou Michael embebedando Meredith pra obrigá-la a ir a uma clínica de reabilitação, ou uma sala de escritório transformada em discoteca em pleno horário de expediente, com o chefe insistindo pra que todos vão dançar. Maravilhosa também é profunda zombaria que a série faz com a divinização das grandes corporações, do espírito de liderança e equipe, da produtividade – são todas besteiras reais que temos que ouvir e nos sentir culpados por não vivê-las, mas que, na verdade, não existem! Ainda bem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Dwight merecia um texto imenso só sobre ele. Um selvagem, completamente sem coração, descendente e falante de alemão (a língua mais deliciosamente bárbara entre as modernas), mente de fazendeiro, mente de predador. Só assim mesmo pra ele ser o ás da produtividade.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;Enfim, The Office, meu grande amor de 2009.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-5718471330682178784?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/5718471330682178784/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/09/this-is-going-to-be-happiest-day-of-my.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/5718471330682178784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/5718471330682178784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/09/this-is-going-to-be-happiest-day-of-my.html' title='This is going to be the happiest day of my life'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SrG5y58bhbI/AAAAAAAAADw/TTvoW_3KE8E/s72-c/the+office+3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-848482207837522302</id><published>2009-07-09T19:45:00.000-07:00</published><updated>2009-12-04T11:18:31.509-08:00</updated><title type='text'>Um pouco sobre tudo o que um brasileiro pode ser, se ouvir sua loucura</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SlpCE_L-gbI/AAAAAAAAAC4/xJAjvoQcPzo/s1600-h/loki-poster01.jpg"&gt;&lt;img style="float:right; margin:0 0 10px 10px;cursor:pointer; cursor:hand;width: 149px; height: 200px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SlpCE_L-gbI/AAAAAAAAAC4/xJAjvoQcPzo/s200/loki-poster01.jpg" border="0" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5357667360159203762" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-tab-span" style="white-space:pre"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Assisti, na quinta-feira passada, "Loki - Arnaldo Baptista" e me impressionei, de repente recebi muita coisa pra se refletir no que eu achava que seria mais uma tarde inútil de feriado na minha vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A começar por me apresentar uma parte da cultura brasileira da qual eu não sabia que era tão ignorante: a tropicália. Cresci ouvindo Caetano Veloso, li algumas de suas incursões literárias, sempre achei ele e Gil mais poetas do que músicos - o que me fez perder o interesse pelo movimento em face da musicalidade melhor casada com as letras do Clube da Esquina. Mas ver o nascimento d'Os Mutantes, a importância e influência deles em cantores que sempre gostei (como o Beck Hansen, que fez um cd inspirado por eles, "Mutations"; ou a primeira Marisa Monte, Pato Fu), me fez ver que eu já apreciava o trabalho de forma indireta. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify;text-indent:35.4pt"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Interessante também rever de perto a estética visual da banda, sem igual até hoje - principalmente nesses nossos tempos pobres de aparência vindo antes da música.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-tab-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;A geração d'Os Mutantes muito saudavelmente não ouvia os adultos, os inimigos da época eram conhecidos – e me lembrei de nós, que seguimos tentando dar alguma forma aos nossos próprios inimigos, mas sempre parando no meio do caminho, se entretendo pelo confortável mundo que nossos pais nos deram, conforto que nos prende, silenciosamente, na inação. Toda nossa geração é imensamente conservadora diante de Arnaldo Baptista, que fez do "distraídos venceremos" uma filosofia real para a vida, baseada nessas idéias hoje fora de moda como alegria, inocência, ironia (em formas mais sinceras).&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-tab-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O peso que eu não esperava carregar nessa tarde vadia de férias era a reflexão sobre as relações entre as pessoas. Arnaldo Baptista se transformando do jovem feliz no adulto, expondo os traumas dessa mudança, tão comum e ruim a todos. Perder o primeiro amor, usar drogas, ser um estranho para o próprio irmão, ser incompreendido pelo movimento que criou, e ver os beneficiados de sua criação o abandonando quando, aparentemente, a "fonte" havia secado - tudo isso criando um abismo misterioso e inevitável para ele mesmo. Achei tocante ver Sérgio Dias falando da sua intransigência da juventude, a obsessão que o jovem tem por suas idéias, passando por cima das pessoas, sem nenhuma flexibilidade pra entendê-las - tal atitude foi um dos motivos, segundo ele, para também se opor ao irmão. Apesar de um certo tom demagógico, (afinal se trata do, oh, virtuose Sérgio Dias, que pela sua declarações na tv, sempre achei que fosse o líder d'Os Mutantes) foi uma fala muito bem encaixada no contexto, figurou claramente na minha cabeça como a minha própria intransigência diante do que não se pode compreender e, enfim, não esperava isso. &lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-tab-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;O documentário segue o movimento de ascensão do mito Arnaldo Baptista, seu momento de "queda" e reascensão, procurando humanizar o "gênio". Esta intenção é bem trabalhada no vídeo, mas chega até o limite: "fiquei com ele porque não tinha mais ninguém, sobrou pra mim", diz a esposa atual de Arnaldo – depois desta fala, já não é possível não ver o protagonista como um pobre coitado, revestindo nosso olhar (que fora tão bem conduzido ao longo do filme), agora, de uma pequena dose de triste pieguice.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;            Outra reflexão importante que se faz presente é a precariedade no trato com arte e artistas no Brasil, atitude cuja conseqüência é a pobreza cultural cotidiana das massas no país (e me incluo nela, já que eu não sabia nada mesmo sobre Os Mutantes). Isso faz com que figuras importantes como Arnaldo Baptista só se tornem melhor reconhecidas no exterior, e aqui, sejam engolidas por julgamentos sobre sua vida pessoal – esquece-se de toda a arte, que distingue tão bem o protagonista de um simples louco.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align:justify"&gt;&lt;span class="apple-tab-span"&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;            &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span class="Apple-style-span"  style="font-size:small;"&gt;Mas, enfim, assistam, é um capítulo importante da história de todos nós, não se identificar um pouco que seja com as canções, os atos, as histórias, as relações, as roupas, as idéias é quase impossível.&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-848482207837522302?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/848482207837522302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/07/um-pouco-sobre-tudo-o-que-um-brasileiro.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/848482207837522302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/848482207837522302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/07/um-pouco-sobre-tudo-o-que-um-brasileiro.html' title='Um pouco sobre tudo o que um brasileiro pode ser, se ouvir sua loucura'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SlpCE_L-gbI/AAAAAAAAAC4/xJAjvoQcPzo/s72-c/loki-poster01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-1348993748859429338</id><published>2009-02-27T20:23:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T04:50:37.118-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>Must be talking to an angel</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/Sai9fMHkL3I/AAAAAAAAACk/Zs1B6EjeQX8/s1600-h/untitled.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307700504382680946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 179px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/Sai9fMHkL3I/AAAAAAAAACk/Zs1B6EjeQX8/s200/untitled.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Quando as Spice Girls acabaram, fiquei muito órfã de ídolos. Vivendo aquela fase chatíssima dos 11 anos, início da quinta série, muita espinha, cortei o cabelo curto pra imitar a Victoria e os garotos me olhavam como se eu tivesse me mutilado. Vi o Pato fu no Vídeo Show, com “Antes que seja tarde” ecoando numa praia e a Fernanda Takai muito feliz e suave, com um cabelo curtíssimo repartido ao meio, um “M” de McDonald’s bem estranho. Minha afinidade com ela foi bem visual, mulheres de cabelo curto, de onde eu vim, eram sempre velhas e professorais, mas a Fernanda Takai era uma imagem com frescor. O “Antes que seja tarde” rodou muito comigo nas tardes de tarefa de ciências, “continuo sob a mesma condição” é a exata definição pra passagem da infância pra adolescência, e daí pra idade adulta: se fica na expectativa de algo mudar e nada acontece. A partir de então me tornei facilmente um cosplay de Takai, minha maior emoção e ousadia era vestir saias abaixo do joelho com tênis (só não parecia tão religiosa por causa do cabelo).&lt;br /&gt;Enfim, vê-la no show, tão de perto, foi a impressão de rever uma velha amiga, com quem nunca se conversou. Ela também é tão baixinha, visível no pedestal do microfone, levantado antes e já emoldurando a sua presença. Como ela fala durante o show! Às vezes é chato e desnecessário, mas em muitas outras é engraçado e reforça a sensação de velha amiga, quebra a imagem de fofinha e tímida, que é um tanto enjoativa por mais de meia hora. Bem engraçada mesmo, no caminho do espirituoso – essa bendita palavra que eu gosto mas nunca entendo completamente o que seja.&lt;br /&gt;“Nunca subestime uma mulherzinha” é a lição a se tirar, Takai e Nelson Motta criando a surpresa de fazer os fãs antigos de Nara Leão consumirem a novidade da sua interpretação em “Onde brilhem os olhos seus”, e ao mesmo tempo levar a geração de Pato fu (como eu) a se reconhecerem na cantora carioca. As canções revivendo os anos 80 foram as melhores, com o violão do John me lembrando o “Love Vigilants” do show do Pato fu em Belo Horizonte, acho que em 2000, época do “Televisão de cachorro”, melhor fase da banda. “There must be an angel” foi uma surpresa feliz pra mim, que conhecia a música das minhas tardes chatas de tarefa e Jovem Pan, e ouvindo agora novamente na versão original do Eurythms quase morri com as firulas tristes da cantora e aquela bateria podre de anos 80. “An angel playing with my heart” foi o que Fernanda conseguiu ser ali, divertindo, cutucando, rindo, cantando Duran Duran em sua própria homenagem pra homenagear nossa lembrança de fazer o próprio caminho pelo mundo ordinário.&lt;br /&gt;Não gostei daquele pessoal tentando tirar fotos de jornalista, atirando no show com máquinas, pra divulgar a imagem de uma cantora que a cidade mal conhece – todo mundo que a conhecia devia já estar por lá mesmo.&lt;br /&gt;Pessoalmente, fiquei chateada com os rumos que o Pato fu foi tomando, o rock de John já não é a personalidade da banda, mas sim o pop de Fernanda, desde “Isopor”. E o que eu vi ontem me mostrou como eu subestimei a mulherzinha, que já não é mais tão tímida e infantil assim, sabe bem rir de si mesma, algo que definitivamente eu precisaria aprender com alguma urgência.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-1348993748859429338?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/1348993748859429338/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/02/must-be-talking-to-angel.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/1348993748859429338'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/1348993748859429338'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/02/must-be-talking-to-angel.html' title='Must be talking to an angel'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/Sai9fMHkL3I/AAAAAAAAACk/Zs1B6EjeQX8/s72-c/untitled.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-6766646306310556860</id><published>2009-02-26T10:06:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T04:50:37.129-08:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='filmes'/><title type='text'>Match Point e o problema das referências</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SabbMW7fxlI/AAAAAAAAACc/MuRUe2P8Ks0/s1600-h/match_point_bassa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5307170216262747730" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 221px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SabbMW7fxlI/AAAAAAAAACc/MuRUe2P8Ks0/s320/match_point_bassa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Vi Match Point esse mês, bem tarde, considerando a estréia em 2005 e o efeito que o filme já causou. Acredito que minhas impressões sejam as mesmas de outras pessoas da minha geração que estão nesta (inútil) condição universitária como eu. É um belo filme, construído com sagacidade e sutileza: os diálogos quase artificiais de tão rápidos, reproduzindo a dinâmica de um jogo de tênis; as personagens, os closes e beleza tão celebrada atualmente de Jonathan Rhys Meyers e Scarlett Johansson se dispõem harmoniosamente para criar o destaque e o tom de perigo em torno do romance principal. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Foi muito interessante ver as misérias humanas e o fracasso sendo tema da interpretação desses dois modelos de perfeição física de Hollywood, tal sofrimento salvou um pouco a personagem de Scarlett Johansson, afinal, ser atriz e interpretar uma não é exatamente encarnar um novo papel – o que, guardadas as proporções, “quase” me lembra a Beyonce, que fez vários filmes, sempre no papel de cantora, lhe poupando o esforço de atriz.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que me fez pensar, ao ver o filme, foi problema da apresentação da principal referência literária: Crime e Castigo. Woody Allen realizou o sonho dos “fãs” do livro (principalmente aqueles do nicho do ateísmo panfletário), e retirou o julgamento moral que o protagonista recebia ao fim. Um crime sem castigo. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;No início, a história se desenrola sem necessidade da referência, se apoiando na catártica relação de desejo e perigo de Nola e Chris. Mas ele já está lá, Crime e Castigo é o livro de cabeceira do protagonista e o tema de discussão que faz o sogro do rapaz passar a respeitá-lo – o conhecimento é meio de ascensão social. O casal principal também estabelece uma interessante relação de complementação: vindos da mesma origem pobre, Chris interpreta melhor que a atriz Nola o papel de bom rapaz, sendo frio e racional, enquanto a moça não consegue disfarçar seu desespero – tal nuance é uma virtude original da história do filme, o que podia fazê-lo valer por si mesmo, mas, enfim, a presença da referência se reforçava. Chris foi muito mais consciente de seus atos e bem mais vilão que Raskolnikov, mas o desencadeamento dos seus atos combinado com sua beleza tão atrativa convencem a nos fazer desistir de odiá-lo. &lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;Enfim, por que Crime e Castigo? O desejo irresistível de ser poderoso e ter o aval “divino” para matar é bem doentio e cartártico – a força que há em ser Napoleão foi a coisa que mais me identificou com Raskolnikov quando fiz minha primeira leiturinha. Só isso é o suficiente? A referência teve a virtude de aparecer direta, não através de citações pedantes, mas na releitura das ações: o latrocínio, a culpa (a cena do sonho de Chris teve os melhores diálogos do filme), a conversa torturante com o detetive (que infelizmente durou tão pouco). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;Mas a escolha deste livro... foi uma referência que facilmente agradaria um público ““intelectual”” (entre várias aspas), sem ficar contra a linha blockbuster, representada pelo perigoso e irresistível romance de dois medalhões da atualidade. Quando se conhece a referência, o espectador se sente lisonjeado em sua inteligência por conseguir identificá-la – o que, combinado com as virtudes originais da história do filme, vira mais uma “sacada” de mestre do que  questão de sorte, tão citada lá. Woody Allen foi muito inteligente por nos fazer sentir inteligentes com uma referência tão canônica e (deveria ser) tão conhecida como Crime e Castigo. Falo isso porque li “A folha por Nigle” de Tolkien, recentemente, e a falta de referências me assustou. Me senti uma completa idiota por não conhecer nada de cultura nórdica (que pude saber que é uma das principais referências dele) e por não conseguir acompanhar o ritmo da narrativa, que não tinha nenhuma parada para reflexão psicológica (outro método para nos dar o poder da inteligência: a impressão de que entendemos o que se passa na mente de um personagem – e nem temos o domínio da nossa própria mente!). &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;O que se faz quando não se sabe do que uma história está falando? Ou se joga ela e suas referências fora e as julga menos importantes das que já foram adquiridas, ou se admite a falta de conhecimento e a necessidade de trilhar um caminho do zero. Sem dúvida, a última demanda um esforço maior. O que é ser inteligente, então? Bom, por ora acho que inteligência é uma lenda, mas as ilusões que temos por ela são extremamente perigosas. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-6766646306310556860?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/6766646306310556860/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/02/match-point-e-o-problema-das.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/6766646306310556860'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/6766646306310556860'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/02/match-point-e-o-problema-das.html' title='Match Point e o problema das referências'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6ew5QkOtN-U/SabbMW7fxlI/AAAAAAAAACc/MuRUe2P8Ks0/s72-c/match_point_bassa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8853707536157199303.post-7030626537711798347</id><published>2009-02-26T10:04:00.000-08:00</published><updated>2009-12-04T04:50:37.138-08:00</updated><title type='text'>Uma coisinha</title><content type='html'>Como falei que talvez eu comece a fazer alguma coisa mais construtiva na vida, vou usar esse blog pra comentar filmes e livros e essas coisas, copiando vários colegas meus de faculdade (esse blog começou motivado por essa idéia de cópia, e assim ele segue), para praticar a escrita, tentar melhorar. Espero melhorar minha auto-imagem me lendo por aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8853707536157199303-7030626537711798347?l=incursoesculturais.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/feeds/7030626537711798347/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/02/uma-coisinha.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/7030626537711798347'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8853707536157199303/posts/default/7030626537711798347'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://incursoesculturais.blogspot.com/2009/02/uma-coisinha.html' title='Uma coisinha'/><author><name>Elis</name><uri>http://www.blogger.com/profile/14920791526949250215</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/-K8smJPcRrUE/TvCo62GvN-I/AAAAAAAAAIw/wiAP4-iW-VM/s220/klee-highways-and-byways-1929.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
